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Valores esquecidos aquecem a economia

Por: Andréia Leite

A busca por valores esquecidos, em instituições financeiras, chegou a quase 90 milhões de consultas. Ao mesmo tempo, mais de 10 milhões de pessoas e empresas ainda não acessaram a plataforma Sistema Valores a Receber (SVR) para o resgate do montante. Informações da CNN Brasil, o Banco Central (BC) estima que cerca de 28 milhões de usuários (26 milhões de CPFs e quase 2 milhões de CNPJs) mantém valores esquecidos em contas antigas, prontos para serem sacados.

A verba extra deverá ser uma ‘mão na roda’ para a economia. Representantes do segmento varejista na capital, concordam que o montante, além de aquecer o mercado, vai ajudar quem está na lista de endividados. 

O presidente da Assembleia Geral da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba David Filho, reitera que a disponibilidade das  instituições financeiras em pagar pelos  valores esquecidos vem em boa hora. No início de  ano geralmente o comércio na maior parte dos segmentos não tem expectativa de aumento de vendas, o que torna essa situação de grande interesse para o segmento”. 

Ainda de acordo com ele, os saldos serão providenciais para o cidadão negativado. “É uma oportunidade de quitar as suas pendências, conseguir habilitar seus créditos e novamente poder consumir impulsionando a economia”. 

O presidente da CDL-Manaus, Ralph Assayag, diz que apesar do dinheiro não contemplar boa parte da população, considera que qualquer quantia paga em função de recursos disponíveis, ameniza a necessidade das pessoas. “É um dinheiro que estava guardado, e agora vai rodar um pouco em torno da necessidade do país”. 

Com as dificuldades que enfrenta o setor comercial que ainda vive um processo de lenta recuperação a notícia do montante extra traz benefícios. “O comércio é o setor econômico que trabalha com uma velocidade muito grande porque atua junto à população. Toda vez que são injetados recursos na economia, ativa-se primeiramente o movimento comercial, consequentemente dispara o crescimento no número de vagas de empregos. Gerando renda e qualidade de vida no momento em que isso acontece vai desencadeando uma série de coisas boas”, avaliou o presidente em exercício da Fecomércio, Aderson Frota. 

O otimismo ganha ainda mais força porque de acordo com o BC (Banco Central), pelo menos 50% das contas que não tiveram saques são de pessoas que já morreram que poderão resgatar esses valores, no entanto, a instituição informou que divulgará os procedimentos necessários para que terceiros legalmente autorizados também possam pedir o saque de valores.Neste caso os herdeiros ou familiares vão ter que buscar o CPF para fazer a busca no BC. Depois é enfrentar a burocracia para reaver esse valor.

Orientação

Contudo, segundo o PhD em Educação Financeira, Reinaldo Domingos, antes de sair gastando o correto é planejar o uso do dinheiro buscando honrar com os compromissos financeiros. “O valor recebido, pode ser utilizado para ajustar as finanças, ou então investido (para render) e destinado para a realização de sonhos de curto prazo (a serem realizados em até um ano), médio prazo (de um a dez anos) e longo prazo (acima de dez anos). O especialista também dá dicas e orientações sobre o que é mais adequado fazer com o valor.

Fazer as compras

Segundo Reinaldo, se a intenção é fazer compras, uma programação antecipada deve ser feita.

“Muitas pessoas vão utilizar o dinheiro extra para fazer compras, o que não é errado, desde que isso já tenha sido programado. Mas, é fundamental que para isso a pessoa esteja já com a vida financeira organizada. Outro ponto é que, se houver parcelamentos esses devem caber no orçamento e é preciso pensar em novos gastos que esta compra proporcionará”, explica Domingos.

Quitar as dívidas

De acordo com o especialista, o dinheiro extra pode até ser utilizado para as dívidas, mas é importante ter em mente que essa não é a solução isolada do problema de endividamento.

“Para aqueles que estão endividados e veem esse dinheiro extra como a solução dos problemas, saiba que ele não é. O ideal é que os compromissos financeiros caibam no orçamento financeiro mensal”, destacou.

E acrescentou que é importante reunir todas as informações possíveis. “Antes de sair pagando as dívidas, analise todas elas, saiba o total, os juros, os prazos, enfim, reúnam todas as informações possíveis. A partir daí, tente renegociar esses valores com o credor e então veja a possibilidade de usar o extra para quitar uma dívida e resolver o problema”, disse.

Poupar e investir

Poupar e investir é sempre muito importante, de acordo com Reinaldo. “Há pessoas que estão em uma “zona de conforto”, ou seja, não devem, mas também não poupam. A esses, faço um alerta para que ajam com consciência, pois um passo em falso pode levá-los ao endividamento e até à inadimplência, uma vez que não possuem reserva financeira para se apoiar. É claro que cada pessoa usa o dinheiro como bem entender e julgar coerente, no entanto, já que não possui dívidas, é importante que se guarde boa parte dele, para começar a formar essa reserva e também para realizar mais sonhos, de agora em diante”, afirmou.

Reinaldo Domingos alerta que dinheiro extra é sempre bom quando é utilizado com cautela. “Para os investidores, mesmo que iniciantes, a melhor opção para utilizar esse valor é continuar investindo, tendo sempre um objetivo, seja ele qual for. A conclusão que podemos tirar é que dinheiro extra é muito positivo quando utilizado com educação financeira”, finalizou.

Consulta

Desde o último dia 14, esse valor pode ser consultado no endereço SVR (Sistema Valores a Receber), disponibilizado pelo BC. Nesse site é possível que as pessoas saibam se possuem valores a receber, o que é informado no momento da consulta, também podem confirmar o montante e solicitar a transferência em março, dependendo da sua data de nascimento ou da criação da empresa (no caso de CNPJ).

Em um ano atípico, consequência da pandemia, essa é uma grande oportunidade, sendo que muitas famílias viram as contas de casa apertarem e aguardam ansiosas pelo benefício.

Por dentro

Desse total, 85.312.803 consultas foram feitas por pessoas físicas e 1.684.773, por pessoas jurídicas. De acordo com o BC, 17.773.019 (20,4%) resultaram em saldos a resgatar, dos quais 17.531.498 se referem a pessoas físicas e 241.521 a empresas.

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