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Dívidas um problema ou solução? 5 passos para dominá-las.

Por: Reinaldo Domingos

A importância das dívidas é a mesma que a do dinheiro! Essa afirmação pode ser polêmica, pois avalia que estar endividado então não é um problema. Mas, é preciso quebrar paradigmas, por isso é preciso ter claro que, o ato de uma pessoa comprar a prazo e honrar suas prestações em dia é algo normal e até importante para economia.

Nesse ponto se tem outro questionamento, mas, comprar a prazo não é pagar juros? Sim, todas as compras a prazo trazem embutido nas prestações os juros. Contudo, comprar tudo à vista pode não ser tão inteligente assim.

Assim é preciso refletir sobre dívidas. As pessoas consomem, umas menos e algumas até de forma exacerbada. Para o consumo no mundo que vivemos existem dois meios prioritários: o dinheiro e a dívida. Assim devemos usar ambos com parcimônia e sempre com o equilíbrio.

Agora, ao analisar as pessoas, se observará que essas, quase sempre, tendem a gastar todo dinheiro que ganham, e muitas vezes o que não têm, o que é adquirir a crédito. Pode-se afirmar que hoje no mundo tem muito mais pessoas que possuem dívidas do que propriamente o dinheiro.

Para não cair em senso comum e erros em relação às finanças, é preciso entender o sistema financeiro e ter esse como aliado nas jornadas financeiras das vidas.

Infelizmente, o grande problema não são as dívidas, mas o fato de termos no Brasil milhões de pessoas inadimplentes, ou sejam, que não conseguem comprar a prazo e honrar suas prestações.

Sou um pesquisador do universo do comportamento financeiro das pessoas e constatei que essas práticas de consumo quase sempre vêm desde criança. Essas são influenciadas ao consumo constante, que seguem os hábitos praticados de seus responsáveis, ou seja, muito pouco se poupa nos lares brasileiros.

Ponto importante é que entender de cálculos ou sobre investimentos, não significa que essa pessoa será uma pessoa poupadora ou próspera financeiramente, esses temas são importantes, mas estão relacionados aos conhecimentos das finanças pessoais.

O que mudará comportamentos é a educação financeira. Esse conhecimento trará o equilíbrio entre o consumo, os propósitos e necessidades, sendo uma ciência humana, que gera hábitos financeiros conscientes capaz de fazer melhores escolhas em toda fase da vida.

Para corrigir a causa do problema do desequilíbrio financeiro, é preciso quebrar o paradigma, mudar os hábitos e comportamentos em relação a utilização do dinheiro e crédito. Inverter a ordem das prioridades de nosso cotidiano. Por exemplo, as pessoas geralmente ganham suas rendas, gastam esses recursos sem qualquer critério o resultado quase sempre é a falta de dinheiro mês a mês, e quando consegue fazer sobrar o dinheiro no mês, acaba gastando essa sobra.

Proponho um jeito diferente de fazer esse processo, colocando logo após os ganhos, os sonhos, propósitos e necessidades, tudo isso antes dos gastos corriqueiros. Com isso tudo quero demonstrar que, as tratarmos das dívidas devemos primeiro combater as causas desses problemas, e não os efeitos.

Para que se possa dar os primeiros passos rumo a esta mudança, não ficando mais inadimplente ou com o nome sujo, elenquei 5 etapas que deverá junto com sua família praticar:

  1. Levantar o que se ganha e o que se gasta – não se pode fazer cortes de gastos de forma aleatória, é preciso ter total domínio do que se ganha e do que se gasta. É preciso realizar uma verdadeira faxina financeira, fazendo um diagnóstico financeiro. Entender de verdade o destino que o dinheiro está tomando. A ideia aqui é ser bem minucioso, cada centavo de dinheiro deverá ser identificado e somado por tipo de gasto exemplo (total do supermercado, da padaria, da farmácia, das guloseimas). Lembrando que esse diagnóstico deverá ser praticado uma vez por ano, quando estiver em uma situação como essa de descontrole e ou quando há uma mudança em seu padrão de vida. 
  • Levantar todas as dívidas vencidas e não vencidas – É importante que tenha plena consciência de que estar endividado não é um problema. A prestação/dívida, quando praticada, deverá estar sempre na capacidade de pagamento mensal, ou seja, contemplar no orçamento financeiro mensal. Essas devem ser prioridades, lembrando ainda que este é o grande problema da inadimplência ou nome sujo. As pessoas quase sempre não têm essa prioridade e controle com isso acabam se perdendo. Já com relação as prestações ou dívidas vencidas, estas devem ser anotadas, com os montantes, suas taxas de juros, contratos para que se possa estruturar uma estratégia de pagamento futuro. Importante nunca sair fazendo acordos para pagamentos, sem antes ter a certeza de que esse acordo caberá no orçamento dos próximos meses. Esse é um erro muito comum, a grande parte das pessoas que acabam fazendo acordos nos limpas-nomes da vida, acabando sempre retornando ao estado de inadimplentes nos meses seguintes.
  • Elaborar um orçamento financeiro – Um orçamento financeiro comum não garante com eficácia a solução dos problemas financeiros das pessoas. Por isso desenvolvi o Orçamento Financeiro DSOP, que traz como grande diferencial as prioridades em destaque. A sua estrutura é assim: Ganho (-) Sonhos (-) Prestações (-) Reservas financeiras (-) Gastos. Com este novo jeito de entender e praticar o orçamento, certamente os resultados mudarão. Muitos perguntam: como posso guardar dinheiro para sonhos e reservas se estou praticamente falido financeiramente? Por isso alerto que dentre os sonhos devem estar o de sair das dívidas vencidas também.
  • Envolvimento familiar – Aqui está uma das mais importantes ações junto a educação financeira, nunca teremos sustentabilidade financeira, sem o envolvimento de todos da família, sejam adultos ou crianças. Essa importância se eleva em casos de inadimplência ou nome sujo, é preciso chamar todos para vencer o problema, não se deve querer ser herói, lembrar que é uma família e que unidos vencerão os problemas, é preciso ter uma ação conjugada, onde todos pratiquem e vivam a educação financeira em sua plenitude.
  • Valorize o crédito – Muitos criticam o crédito no Brasil, sem dúvida alguma o crédito com taxas exorbitavas não devemos apoiar, porém é preciso abrir a mente para aqueles créditos que fazer parte de nosso cotidiano, que trazem taxas de juros aceitáveis. Sou um defensor ferrenho da poupança, da reserva financeira, da priorização de necessidades, de sonhos e dos propósitos. Mas, também não poderia deixar de registrar que defendo utilização das dívidas a favor das pessoas. Temos que ter nossa visão melhorada sobre esse aspecto. Tudo que é dado, ingerido, concedido com excesso. Adquirir qualquer produto, bem móvel ou imóvel, se torna cada dia mais difícil, devido a perda do poder aquisitivo de nossas famílias. E, nesse sentido, o crédito passa a ser um instrumento de grande importância e oportunidade. Enfim o crédito estará no cotidiano das pessoas e é preciso educação financeira para lidar com ele com sabedoria. Portanto, não é o sistema financeiro que está errado e sim a ausência de educação de como utilizar o sistema financeiro.

Reinaldo Domingos é PhD em Educação Financeira, presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira – ABEFIN, da DSOP Educação Financeira, apresentador do Canal youtube Dinheiro à Vista e autor de mais de 100 obras sobre o tema dentre

 as quais o best-seller Terapia Financeira.

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