Presidente da Associação Brasileira dos Profissionais de Educação Financeira defende diálogo familiar para prevenir o vício em apostas
O crescimento das apostas online tem ampliado a preocupação de especialistas com os impactos financeiros e emocionais sobre crianças, adolescentes e jovens adultos. Embora a participação de menores de idade seja proibida, a exposição constante a propagandas e conteúdos relacionados ao tema tem despertado atenção de educadores e famílias.
Em entrevista à CBN Ribeirão, o PhD em educação financeira e presidente da Associação Brasileira dos Profissionais de Educação Financeira (Abefin), Reinaldo Domingos, destacou que a prevenção passa principalmente pelo diálogo e pela construção de uma relação saudável com o dinheiro desde a infância.
Diálogo familiar
Segundo o especialista, o combate aos riscos associados às apostas deve começar dentro de casa e nas escolas. Ele avalia que crianças e adolescentes são influenciados não apenas pela publicidade, mas também pelo comportamento observado em pais, familiares e outras referências do convívio diário.
Para Reinaldo Domingos, a educação financeira precisa ir além de cálculos e planilhas. O foco, segundo ele, deve estar na formação de hábitos, escolhas e atitudes relacionadas ao consumo e ao uso do dinheiro.
O especialista ressalta ainda que os pais exercem papel fundamental nesse processo. Na avaliação dele, quando os adultos adotam determinados comportamentos financeiros, a tendência é que eles sejam reproduzidos pelos filhos no futuro.
Saúde mental
Outro ponto de preocupação é a relação entre o uso das apostas e os problemas de saúde mental. De acordo com Reinaldo, questões financeiras estão entre as principais causas de estresse, ansiedade, burnout e depressão.
Ele afirma que muitas pessoas acabam recorrendo às apostas na tentativa de complementar a renda ou resolver dificuldades financeiras. No entanto, alerta que essa expectativa pode gerar frustrações e agravar ainda mais os problemas econômicos e emocionais.
Segundo o especialista, o vício em apostas segue uma lógica semelhante à de outros comportamentos compulsivos, tornando-se um risco quando passa a fazer parte da rotina e cria uma dependência psicológica.
Educação financeira
Durante a entrevista, Reinaldo destacou a importância de ensinar às crianças como o dinheiro é obtido e qual o valor do trabalho para a construção da renda familiar. Para ele, compreender a origem dos recursos financeiros ajuda a desenvolver uma relação mais consciente com gastos e consumo.
O especialista defende que as famílias conversem abertamente sobre receitas, despesas e planejamento financeiro, permitindo que crianças e adolescentes entendam as consequências das escolhas econômicas no dia a dia.
Na avaliação dele, a conscientização sobre o valor do dinheiro e os riscos envolvidos nas apostas é uma das principais ferramentas para evitar que jovens sejam atraídos pela promessa de ganhos rápidos e desenvolvam comportamentos prejudiciais no futuro.







