Especialista afirma que organizar o uso do dinheiro é essencial para enfrentar imprevistos e realizar sonhos; veja oito passos para não errar
A cada início de ano, o planejamento financeiro ganha espaço em reportagens e debates. Na prática, porém, poucas pessoas colocam essa organização em ação e, entre as que tentam, muitas acabam se perdendo pela falta de método. Diante disso, surge a pergunta: vale a pena planejar as finanças para 2026?
Para Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (ABEFIN), a resposta é direta. “Não apenas vale a pena, como é essencial. Pessoas que se planejam lidam melhor com imprevistos porque têm uma visão mais clara do futuro. É muito mais fácil ajustar um caminho do que começar do zero”, afirma.
Segundo o educador financeiro, colocar no papel as despesas previstas para o próximo ano é o primeiro passo para manter o controle ao longo dos meses. “Para quem ainda não tem o hábito de planejar o uso do dinheiro, o início do ano é o momento ideal. Ele representa um marco importante para a mudança de comportamento”, destaca.
Reinaldo considera válido o uso de planilhas ou aplicativos, já que facilitam o acompanhamento das informações durante o ano. No entanto, ressalta que a principal transformação não está apenas em anotar gastos, mas em mudar a relação com o dinheiro. Para ajudar nesse processo, o especialista elaborou um passo a passo com oito orientações práticas.
Oito passos para organizar as finanças em 2026
1. Coloque tudo no papel
Liste os compromissos dos próximos 12 meses, como datas comemorativas, impostos (IPVA e IPTU), matrícula e material escolar. Registre os valores previstos, mesmo que possam sofrer alterações ao longo do ano.
2. Anote as parcelas
Inclua no planejamento as compras parceladas que continuarão sendo pagas em 2026, garantindo que elas façam parte do orçamento mensal.
3. Converse com a família
Reúna todos os integrantes da casa, inclusive as crianças, para falar sobre sonhos individuais e coletivos. Viagens, troca de carro, compra da casa própria ou a saída das dívidas devem ser considerados como objetivos comuns.
4. Pesquise os sonhos
Levante os custos de cada meta e faça cotações até encontrar as melhores condições. Agir com antecedência é uma das bases do planejamento financeiro.
5. Poupe com estratégia
Reserve dinheiro para cada sonho simultaneamente e escolha os investimentos de acordo com o prazo: curto prazo, poupança; médio prazo, CDB, Tesouro Direto ou fundos; longo prazo, Tesouro Direto, previdência privada ou ações.
6. Reduza despesas
Faça um diagnóstico financeiro mensal, anotando todos os gastos por categoria. Segundo o especialista, é comum haver pelo menos 20% de desperdício ou exageros que podem ser cortados.
7. Mude a lógica do orçamento
Passe a calcular o orçamento da seguinte forma: ganhos menos valor destinado aos sonhos e, só depois, as despesas. Assim, os objetivos ganham prioridade e o padrão de vida se ajusta ao que sobra.
8. Atenção à inadimplência
Quem está endividado precisa fazer uma verdadeira faxina financeira. Antes de negociar com credores, é fundamental entender quanto é possível pagar para evitar novos desequilíbrios.
Para Reinaldo Domingos, planejar as finanças é mais do que organizar números. “Trata-se de uma reeducação financeira que permite iniciar o ano com mais consciência, segurança e possibilidades reais de transformação”, conclui.







