A inadimplência avançou em fevereiro de 2026 e o Distrito Federal consolidou uma das posições mais preocupantes do país. De acordo com levantamento da Serasa, 62,11% da população adulta do DF está inadimplente, percentual superior ao registrado no fim de 2025 e bem acima da média nacional atual, que é de 49,87%. O índice coloca o Distrito Federal entre os estados com maior proporção de inadimplentes do Brasil, atrás apenas do Amapá.
No cenário nacional, o número total de inadimplentes chegou a 81,7 milhões de pessoas, crescimento de 0,51% em relação a janeiro. O volume total de dívidas atingiu 332,1 milhões, alta mensal de 1,52%, enquanto o valor médio devido por pessoa alcançou R$ 6.598,13, avanço de 2,24%. Cada dívida, em média, soma R$ 1.623,40, com aumento de 1,23%. O estoque total das dívidas no país já chega a R$ 539 bilhões, crescimento de 2,76% frente ao mês anterior.
Os números mostram que o avanço da inadimplência não se restringe ao aumento de pessoas negativadas, mas também envolve a elevação do valor médio das dívidas, indicando maior comprometimento da renda das famílias.
DF acima da média brasileira
Com mais de seis em cada dez adultos inadimplentes, o Distrito Federal apresenta um dos maiores percentuais proporcionais do país. O índice supera significativamente a média nacional e evidencia um cenário de forte pressão sobre o orçamento das famílias locais.
O crescimento acompanha a tendência nacional e está associado, principalmente, ao uso recorrente de crédito com juros elevados, como cartão de crédito rotativo, cheque especial e parcelamentos prolongados. Quando utilizados sem planejamento adequado, esses instrumentos acabam ampliando o peso dos juros e dificultando a redução do saldo principal das dívidas.
Educação financeira como estratégia de reversão
Para a presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (ABEFIN) no Distrito Federal, Andréa Saraiva, o cenário exige resposta estruturada.
“Os dados de inadimplência do Distrito Federal evidenciam a necessidade de ações voltadas à educação financeira e ao uso consciente do crédito. A falta de planejamento compromete o orçamento das famílias e limita o potencial de crescimento econômico. A educação financeira deve ser vista como política estratégica de prevenção e inclusão financeira”, afirma.
Segundo Reinaldo Domingos, presidente nacional da entidade, a reversão do quadro depende de método e disciplina. “A inadimplência é resultado de decisões financeiras acumuladas ao longo do tempo. Para sair dessa situação, é fundamental mapear todas as dívidas, entender os juros envolvidos e priorizar aquelas que mais impactam o orçamento. Quando o consumidor passa a reduzir o valor principal da dívida, e não apenas pagar juros, inicia um processo real de recuperação.”
Caminhos para sair da inadimplência
O primeiro passo para reorganizar as finanças é levantar detalhadamente todas as pendências, incluindo valores, prazos e taxas. Contas essenciais devem ser mantidas em dia, enquanto dívidas com juros mais altos precisam ser tratadas como prioridade na renegociação.
Controlar gastos também é fundamental. Registrar despesas por pelo menos 30 dias permite identificar excessos e ajustar hábitos de consumo, criando margem para quitar débitos.
A negociação com credores deve ocorrer com base na real capacidade de pagamento. Firmar acordos sem planejamento pode gerar novo ciclo de atraso. Em alguns casos, consolidar dívidas em uma única linha de crédito com juros menores pode reduzir a pressão financeira e facilitar a quitação gradual.
Caso não haja possibilidade imediata de acordo, formar uma reserva financeira pode fortalecer o poder de negociação futura. Mais do que renegociar débitos, refletir sobre padrões de consumo e alinhar gastos a objetivos de vida são medidas essenciais para evitar novos ciclos de endividamento.
Com 62,11% da população adulta inadimplente e crescimento acompanhando a tendência nacional, o Distrito Federal enfrenta um cenário que reforça a importância da educação financeira como ferramenta estruturante para recuperação econômica das famílias.






