Educador financeiro alerta para avanço das dívidas e defende organização familiar, controle de gastos e mudança de comportamento.
O endividamento das famílias atingiu um novo recorde em julho, chegando a pouco mais de 80%, segundo pesquisa citada durante o Jornal da CBN. O resultado representa o sexto recorde consecutivo da série histórica, enquanto aumentou também a parcela de brasileiros com mais da metade da renda comprometida com pagamentos.
O cartão de crédito aparece como um dos principais responsáveis pelo endividamento. Segundo Reinaldo Domingos, educador financeiro e presidente da Associação Brasileira dos Profissionais da Educação Financeira, a perda do poder de compra faz com que muitas pessoas recorram ao crédito para manter o consumo.
Para o especialista, programas como o Desenrola Brasil têm caráter paliativo e não resolvem a causa do problema. Ele defende que as famílias façam uma reorganização financeira e mudem hábitos e comportamentos para equilibrar o que ganham e o que gastam.
Cartão de crédito
Segundo Reinaldo Domingos, o cartão de crédito é um dos recursos mais acessíveis para quem não consegue comprar à vista. O problema aparece quando o consumidor utiliza vários cartões e compromete parte da renda futura sem considerar os demais gastos mensais.
O especialista também chama atenção para o crédito consignado, que, segundo ele, tem contribuído para o aumento do endividamento. Nesse tipo de operação, o dinheiro pode ser contratado de forma rápida, mas o pagamento começa a comprometer a renda mensal a partir do mês seguinte.
Educação financeira
Reinaldo defende que o enfrentamento do endividamento passa pela educação do comportamento financeiro e não apenas pelo uso de planilhas ou conhecimento sobre investimentos. Para ele, é necessário que as famílias façam escolhas e renúncias e reflitam sobre prioridades, necessidades e sonhos.
O educador também destaca a importância de avaliar as compras parceladas. O parcelamento pode ser utilizado de maneira consciente, mas é preciso somar as prestações aos demais gastos mensais para verificar se elas cabem no orçamento.
Organização familiar
Na avaliação do especialista, a reorganização precisa começar dentro de casa. Antes de negociar dívidas, ele considera necessário equilibrar a relação entre o que a família ganha e o que gasta, reduzindo excessos e desperdícios sem eliminar necessariamente despesas relacionadas ao lazer e ao bem-estar.
Reinaldo também afirma que acordos para quitar dívidas podem não ser suficientes quando o orçamento não é reorganizado. Segundo ele, muitos consumidores voltam à inadimplência depois de renegociar compromissos porque as parcelas assumidas continuam sem caber na renda familiar.
Para sair do endividamento, a orientação apresentada durante a entrevista é fazer um mapeamento das dívidas, observar as que possuem juros mais altos, buscar negociação com os credores e reorganizar as prioridades. O especialista ressalta que a participação de toda a família é fundamental nesse processo.







