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Mais de 44% da população adulta de Sergipe está inadimplente

A inadimplência segue pressionando o orçamento das famílias sergipanas. De acordo com dados do Serasa referentes a dezembro de 2025, 44,04% da população adulta de Sergipe está inadimplente, percentual abaixo da média nacional, que é de 49,77%, mas que ainda representa um contingente expressivo de consumidores com dificuldades para manter as contas em dia.

No cenário nacional, o Brasil soma 81,2 milhões de inadimplentes, com crescimento mensal de 0,79%. O valor médio das dívidas por pessoa é de R$ 6.382, enquanto cada débito possui valor médio de R$ 1.593,27. O estoque total das dívidas no país já alcança R$ 518 bilhões, evidenciando um ambiente econômico desafiador para famílias de todas as regiões.

Para a presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira em Sergipe (ABEFIN-SE), Emanuela Mota, o percentual do estado reforça a importância de ampliar a orientação financeira e estimular escolhas mais conscientes no uso do crédito. “No período da pandemia (principalmente entre 2020 e 2021), o mercado financeiro passou por uma grande transformação digital: avanço das redes neurais para agilizar a análise de risco de crédito, concomitante à crescente inserção de fintechs e bancos digitais na oferta de crédito à população brasileira”, explica.

Emanuela complementa: “Com uma taxa SELIC de 2,75% a.a, no período, e um alto consumo de crédito por meios digitais, o resultado não poderia ser outro: alavancagem na Carteira de Crédito, quase que dobrando em dois anos, o que o Sistema Financeiro Nacional faria em dez. Hoje temos uma SELIC estagnada em 15% a.a, famílias endividadas, baixo conhecimento financeiro e muita dificuldade para honrar com as renegociações, mantendo crescente os níveis de inadimplência.”

Em Sergipe, a inadimplência está fortemente relacionada ao uso recorrente de linhas de crédito com juros elevados, como cartão de crédito rotativo, parcelamentos prolongados e empréstimos contratados sem avaliação prévia do impacto no orçamento. Esse comportamento tende a comprometer a renda mensal e dificultar a retomada do equilíbrio financeiro.

Segundo Reinaldo Domingos, PhD em Educação Financeira e presidente nacional da ABEFIN, a saída da inadimplência passa por mudança de postura e estratégia financeira. “O endividamento excessivo não acontece de forma repentina. Ele é construído ao longo do tempo por decisões tomadas sem planejamento. Quando a pessoa organiza suas finanças, define prioridades e passa a alinhar o uso do dinheiro aos seus objetivos de vida, ela cria condições reais para sair das dívidas e manter a estabilidade financeira”, afirma.

Caminhos para sair dessa situação

O processo de reorganização financeira começa com o levantamento detalhado de todas as dívidas, identificando valores, prazos e taxas de juros. Essa visão permite priorizar débitos com encargos mais elevados e reduzir o impacto dos juros no orçamento mensal.

A revisão dos gastos mensais também é essencial. Registrar despesas fixas e variáveis ajuda a identificar excessos, ajustar hábitos de consumo e criar espaço financeiro para a renegociação das dívidas.

A negociação com credores deve ser feita com planejamento e responsabilidade. Acordos precisam estar alinhados à capacidade de pagamento para evitar novos atrasos e o agravamento da inadimplência.

Além disso, a formação gradual de uma reserva financeira reduz a dependência de crédito emergencial e fortalece a segurança financeira das famílias. Decisões alinhadas a objetivos claros são fundamentais para evitar recaídas no endividamento.

Com mais de 44% da população adulta inadimplente, Sergipe enfrenta um desafio relevante que exige informação, organização e mudança de comportamento financeiro para promover mais equilíbrio e saúde financeira às famílias do estado.

Fonte: Assessoria de Imprensa

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