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67,1% de endividados – veja dez passos para reverter essa situação

A crise afetou milhões de brasileiros e teve impacto direto nas contas das famílias, fato é que o número de brasileiros endividados atingiu em junho 67,1%, em relação ao total de famílias, o maior índice desde janeiro de 2010. O dado é da Pesquisa de Endividamento do Consumidor, da Confederação Nacional do Comércio (CNC),

Com certeza o momento vivido de pandemia e queda nos rendimentos potencializou esse crescimento, contudo, esse não é um fator isolado, pois as taxas já eram muito alta antes mesmo de 2020, o que demonstra que o problema dos brasileiros é crônico, fruto principalmente da falta de educação financeira.

“Ninguém esperava o momento vivido e ele é muito problemático, contudo, espero que as pessoas tirem aprendizados com essa fase vivida e um deles com certeza é a implementação da educação financeira em suas vidas de forma efetiva. Lembrando que esse conhecimento não remente apenas a contas”, explica Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (ABEFIN).

Domingos complementa detalhando que “a Educação Financeira é uma ciência humana que busca a autonomia financeira, fundamentada por uma metodologia baseada no comportamento, objetivando a construção de um modelo mental que promova a sustentabilidade, crie hábitos saudáveis e proporcione o equilíbrio entre o ser, o fazer e o ter, com escolhas conscientes para a realização de sonhos”.

Como sair das dívidas

As pessoas com dívidas podem estar em duas situações, segundo Reinaldo Domingos: endividado ou até mesmo inadimplente. Independentemente de qual seja ela, o especialista explica que é possível mudar de vez essa situação. “Ao longo de minha vida, já presenciei diversas situações que pareciam se solução e , acredite, todas elas conseguiram se reerguer”, explica.

Domingos elaborou algumas orientações sobre o tema para as pessoas:

  1. Se você possui diversas dívidas, mas ainda não está inadimplente, cuidado! A situação é bastante preocupante. Levante todos os valores e estabeleça uma estratégia para que continue adimplente. E lembre-se, estar endividado nem sempre é um problema; o problema é quando não se consegue pagar esse compromisso;
  2. Se já estiver inadimplente, antes de sair negociando, tenha total conhecimento de sua situação. Faça um diagnóstico financeiro, registrando o que ganha e o que gasta, e conheça o seu verdadeiro “eu financeiro”;
  3. Faça um apontamento de despesas diárias, separado por tipo de despesas, durante os próximos 30 dias. Esse é o caminho para que fique tudo mais claro. Somente assim poderá cortar gastos e reduzir excessos;
  4. Muitas vezes, é importante dizer “devo, não nego, pago, como e quando puder”. Nunca se deve procurar o credor (pessoa ou instituição para quem se deve) antes de ter domínio completo da sua situação financeira;
  5. A portabilidade é uma das ferramentas para reduzir o endividamento, portanto procure por linhas de créditos mais baixas. Porém, é importante frisar, isso não resolve a causa do problema;
  6. No planejamento para pagar as dívidas, priorize as que têm os juros mais altos. Geralmente são as de cartão de crédito e cheque especial;
  7. Antes de pagar as dívidas, é preciso reunir a família (inclusive as crianças), apresentar o problema e discutir as alternativas. Saiba que, para pagar as dívidas atrasadas, terá que repensar o seu padrão de vida, pois a sua força de pagamento será reduzida nos próximos meses, com o início do pagamento das parcelas;
  8. Na hora de negociar, se for parcelar as dívidas, tenha certeza de que cabem em seu orçamento;
  9. Não existe uma porcentagem exata do quanto terá que direcionar para pagar suas dívidas, isso dependerá do diagnóstico financeiro feito previamente;
  10. Além de pagar as dívidas, procure guardar dinheiro para uma reserva estratégica. Mesmo endividado, inicie o projeto de vida de ser independente e sustentável financeiramente. E não se esqueça: é preciso respeitar o dinheiro e entender que ele é um meio e não um fim.
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Thayna Palmas